Excerpts from an Interview published in Época magazine, March 8, 1999. Translated by Ted Goertzel. Downloaded from http://www.epoca.com.br/. You can hear the entire interview in RealPlayer audio at this site.
 
 
 

Headline: President says the country was pushed into allowing the Real to float freely, and that the first half of this year will be hard and very difficult.
 

Época: What is going to happen in Brazil this year?

FHC: A year is too long for me. At the maximum, I can say what will happen in the month of March.
 

Época: And what will happen in March?

FHC: The CPMF (a tax on financial transactions). The approval of the CPMF in Congress is the most important. The tax on fuels, the green tax, has my support under the assumption that it is instituted as part of a tax reform. This tax only makes sense in the context of a tax reform. If it is imposed, it should apply for the fiscal year, since it does not accomplish anything to do something now if it only lasts until the year 2000. It is better to take the time to make a good law instituting this tax and freeing the companies and the consumers from other taxes.
 

Época: Then the tax reform will be sent by stages to Congress?

FHC: Yes, in steps, since it is easier to approve it that way. What we will have: the CPMF, the green tax, which will be approved this year, but which will only take effect in 2000. In addition: the revision of the goals of the accord with the IMF. Following this, the World Bank and the Interamerican Development Bank should approve new resources for Brazil. The governments of the G-7 are wanting to give us more money - and, in truth, since the exchange rate is fluctuating, we do not need to use so much of these loans to defend the currency, but in any event it is a security cushion. Finally, we will have the resumption of commercial lines of credit. There is no reason why the international banks should not resume these lines of commercial financing for companies here or there because there is no risk of default. None.
 

Época: The low level of external confidence is the primary obstacle to the increase in foreign investment in the country?

FHC: Today it is. For this reason there is a scarcity of dollars in the market. Probably the foreign banks have spent the last two months awaiting the approval of the CPMF and the revision of the goals in the accord with the Fund to resume bringing dollars to Brazil. But be clear on this: the return of foreign capital investment in Brazil cannot be done in a compulsory manner, delaying debt payments...
 

Época: Why not?

FHC: Because the investors will withdraw. We were already hurt enough by the idea that we did not have the capability to service the internal debt, which is a total misunderstanding. In the 1980s, with all the crises, it was necessary to default on the internal debt. The Brazilian internal debt is effectively Brazilian, belongs to Brazilians, and is payable in Reais.
 

Época: Or, in other words, the internal debt will not suffer any defult or renegotiation...

FHC: It is not necessary to renegotiate. We never had problems with this debt. We resolve the problem when we require the banks to increase their compulsory deposits. The Brazilian debt was always financed here.
 

Época: The risk of default does not exist?

FHC: No. The major holders of the Brazilian public debt are the Brazilian banks, and the Brazilian banks believe in Brazil. They say this to their clients and they say this to me.
 

Época: Argentina renegotiated its internal debt, and it appears to be doing well.

FHC: But there they did not have wealth in pesos. We have wealth in Reais, in our own money.
 

Época: And the interest rates, when will they come down?

FH: The average interest rates, for this year, will be lower than those in 1998.
 

Época: Isn't the beginning of your second term worse that predicted?

FHC: That's true, no doubt about it. What was our economic policy? Slow, periodic devaluations of the Real. What did the critics ask for? That, instead of lowering the interest rate, we raise the value of the dollar. Was it not this which Fiesp asked for, what the critics of the Real asked for?
 

Text in Portuguese:
 

Presidente diz que país foi empurrado

para livre flutuação e que o primeiro semestre

deste ano será duro e muito difícil
 

Época: O que vai acontecer com o

Brasil neste ano?

Fernando Henrique: Neste ano? É

tempo demais para mim. No

máximo, posso dizer o que vai

acontecer no mês de março.
 

Época: E o que vai acontecer em

março?

FH: A CPMF. A aprovação da

CPMF no Congresso é o mais

importante. O imposto sobre combustíveis, ou imposto verde,

tem o meu apoio desde que seja instituído no âmbito da

reforma tributária. Esse imposto só tem sentido no contexto da

reforma tributária. Se é imposto, precisa obedecer ao princípio

da anualidade fiscal, portanto não adianta querer fazer nada

agora se ele só vigorará no ano 2000. É melhor gastar tempo

fazendo uma boa lei instituindo esse imposto e desonerando

as empresas e os consumidores de outros tributos.
 

Época: Então a reforma tributária será enviada por etapas ao

Congresso?

FH: Sim, fatiada, porque assim é mais fácil aprová-la.

Voltando ao que teremos: a CPMF, o imposto verde, que será

aprovado neste ano, mas só terá vigência em 2000. E mais: a

revisão das metas do acordo com o Fundo Monetário

Internacional (FMI). Em seguida a isso o Banco Mundial e o

Banco Interamericano de Desenvolvimento devem aprovar

novos recursos para o Brasil. Os governos do G-7 estão

querendo nos dar mais dinheiro - e, na verdade, como o

câmbio está flutuante, não precisamos usar tanto esses

empréstimos para defender a moeda, mas de qualquer

maneira é um colchão de segurança. Por último, temos a

retomada de linhas comerciais. Não há nenhuma razão para

que os bancos internacionais não retomem essas linhas de

financiamento comercial para empresas daqui ou que aqui

estão porque não há nenhum risco de calote. Nenhum.
 

Época: A pouca confiança externa é o maior obstáculo ao

aumento dos investimentos estrangeiros no país?

FH: Hoje é. Por isso há escassez de dólares no mercado.

Provavelmente os bancos estrangeiros tenham passado os

dois últimos meses esperando a aprovação da CPMF e a

revisão das metas do acordo com o Fundo para voltar a trazer

dólares para o Brasil. Veja bem: o retorno do ingresso de

capital estrangeiro no Brasil não podia ser feito de forma

compulsória, prorrogando-se dívidas, como se chegou a

especular e a se defender.
 

Época: Por quê?

FH: Porque os investidores se retraem. Prejudicou-nos

bastante a idéia de que não tínhamos condições de rolar a

dívida interna, o que é um equívoco total. Nem nos anos 80,

com toda a crise, foi necessário dar o calote na dívida interna.

A dívida interna brasileira é efetivamente brasileira, é de

brasileiros, e é variável em reais.
 

Época: Ou seja, a dívida interna não sofrerá calote nem

renegociação...

FH: Não precisa renegociar. Nós nunca tivemos problemas

com essa dívida. Resolvemos o problema quando obrigamos

os bancos a aumentar seus depósitos compulsórios. A dívida

brasileira sempre foi financiada aqui.
 

Época: Risco de calote não existe?

FH: Não. Os maiores credores da dívida pública brasileira são

os bancos brasileiros, e os bancos brasileiros acreditam no

Brasil. Eles dizem isso a seus clientes e me dizem isso.
 

Época: A Argentina renegociou a dívida interna e parece que

está bem.

FH: Mas lá eles não tinham riqueza em pesos. Nós temos riqueza em reais, na nossa moeda.
 

Época: E os juros, quando baixam?

FH: A taxa de juros reais média, neste ano, será mais baixa que a de 1998.
 

Época: Este início de segundo mandato não é pior que o previsto?

FH: É verdade, não tenha dúvida de que sim. Qual era a nossa

política econômica? Desvalorizações lentas e periódicas do

real. Qual era a crítica? É que, em vez de baixar a taxa de juro,

subíamos o dólar. Não foi isso que a Fiesp pediu, que os

críticos do real pediram? Que viviam cobrando?