This is the text of President Cardoso's radio address to the nation on January 19, 1999, translated into English by Ted Goertzel, followed by the text in Portuguese.

I wish to speak very frankly to the Brazilian people.  We are facing difficulties.  The last weeks were difficult.  So difficult that we, in order to guarantee the stability of the real, were were obliged to permit an increase in the value of the dollar.

What did we do this?  Because in order to avoid this would would have had to raise interest rates even higher, we would have had to penalize even more those who are the producers of Brazil.  We would have lessened the availability of job openings, and we would have run the risk of a prolonged recession.

I know that when we increase the value of the dollar, many people become worried.  But be clear on on this:  there will be no direct impact on the pocket of the Brazilian people.  The person who works, who is not obliged to travel or who is not buying an imported car - and the immense majority does not buy imported cars, or imported products - these Brazilians are not going to suffer any effect from the increase of the dollar.

It is clear that the government will continue watching?  Watching what?  To make sure no one takes advantage, that high prices do not return, that they use the pretext that the dollar is more expensive to increase the price of Brazilian products, that are made with the real and that, therefore, do not require any increase at all.

And we have experience.  I fought against inflation when the inflation was 10, 20, 30, 40 percent a month.  Now, one who was able to control inflation at this level is certainly not going to allow inflation to continue.

Now, we need to put our public accounts in order, because what has disorganized Brazilian life, in terms of economics, is the fact that many states, some local governments, and the federal government itself are spending too much because they have to pay the salaries of a great many p people.  Above all in the states and local governments, and because they have the expense of the retirement of the public employees.

Nothing is going to happen to the workers who are in the INSS (which covers private sector employees).  Everything will stay the same.  Now, we are going to ask that Congress approve a contribution from the retired and pensioners in the public sector, but not from the others.  Those who earn little, less than 600 reais, it would be unfair to impose on them, and we are not going to do so.

Now there are many people who receive a great deal and who contribute nothing to their retirement.  And you who are at home listening to me, many not realize that you are paying for the premature retirements of sectors of the civil service.  And some of them are earning a great deal.  Therefore, it is fair that in these difficult times they pay a contribution.  This is what we are doing.

Now, the National Congress has shown a great disposition to react, and I am, as always, firmly disposed to help Brazil.

I am certain that the National Congress will approve the measures which we ask them to approve with urgency, and that we will continue to lead Brazil with firmness, with clarity and with frankness we are going to overcome these difficulties and as soon as the second half of the year the growth rates will repay the people's efforts.  Brazil will once again be able to generate more employment and I will be able to complete my program of government, which I presented to the country during the elections.  I am counting on you.  We are working together so that Brazil will have the best chance to progress.  And progress for the better.

A íntegra do pronunciamento (downloaded from  http://www.radiobras.gov.br/ :

"Eu hoje queria falar com muita franqueza ao povo brasileiro. Nós estamos enfrentando dificuldades. As últimas semanas foram difíceis. Tão difíceis que nós, para garantir a estabilidade do Real, fomos obrigados a deixar que houvesse a valorização do dólar.

Por que que nós fizemos isso? Porque para evitar isso teríamos que aumentar ainda mais a taxa de juros, teríamos que penalizar ainda mais aqueles que são produtores do Brasil. Diminuiria a oferta de emprego e poderia haver o risco de uma recessão prolongada.

Eu sei que quando se aumenta o dólar, muita gente fica preocupada. Mas veja bem: não haverá impacto direto nenhum sobre o bolso do povo brasileiro. Aquele que trabalha, aquele que não está sendo obrigado a viajar ou aquele que não compra carro importado - e a imensa maioria não compra carro importado, nem produtos importados, este não vai sofrer nenhum efeito do aumento do valor do dólar.

É claro, o governo vai continuar olhando. Olhando o que? Pra evitar que haja exploração, que comece de novo a carestia, que usem o pretexto de que o dólar vale mais para aumentar o preço dos produtos brasileiros, que são feitos com o Real e que, portanto, não precisam ter aumento algum.

E nós temos experiência. Eu lutei contra a inflação quando a inflação estava a 10, 20, 30, 40 por cento ao mês. Ora quem conseguiu segurar a inflação nesse nível certamente não vai deixar que a carestia volte.

Agora, nós precisamos acertar as nossas contas públicas, porque o que desorganiza a vida brasileira, na parte econômica, é o fato que muitos estados, alguns municípios e a própria União estão gastando demais porque têm que pagar uma folha de salários de muita gente. Sobretudo nos estados e nos municípios, e porque tem o custo da previdência do funcionalismo público.

Não é o trabalhador, não é a trabalhadora que está no INSS, aí não vai acontecer nada. Fica tudo igual. Agora, nós vamos pedir que o Congresso aprove uma contribuição dos aposentados e dos pensionistas do setor público, porém, não de todos. Os que ganham pouco, menos de 600 reais, não seria justo mexer com eles, não vamos mexer.

Agora há muita gente que ganha muito e que não contribui com nada para a sua aposentadoria. É você que está em casa me ouvindo, que sem saber, está pagando aposentadorias precoces de setores de funcionalismo. E alguns deles ganhando muito. Então, é justo que neste momento de aflição eles paguem uma contribuição. É isso que nós estamos fazendo.

Agora, o Congresso Nacional tem mostrado muita disposição de reagir, eu sou o homem de sempre, firme, disposto a ajudar o Brasil.

E tenho certeza de que o Congresso Nacional aprovando as medidas que nós pedimos que fossem aprovadas com rapidez, e de que nós continuando a conduzir o Brasil com firmeza, com clareza, com franqueza vamos superar essas dificuldades e já no segundo semestre as taxas de crescimento vão mostrar ao povo que o esforço valeu. O Brasil vai voltar a ter condições de gerar mais empregos e eu vou ter condições de cumprir o meu programa de governo, que eu apresentei ao país durante as eleições. Eu conto com você. Vamos juntos que o Brasil tem muita chance e vai avançar. E avançar para melhor".